"Exploro o mundo através da escrita, deixando aqui memórias e criações da minha linha de pensamento particular. Vivo intensamente as emoções que a vida propõe, lapidando minha voz a cada palavra."
domingo, 11 de dezembro de 2022
segunda-feira, 5 de dezembro de 2022
Jungkook - If You
domingo, 4 de dezembro de 2022
Jungkook chill playlist
Jungkook chill playlist (study, sleep,chill, relax)
Apaixonante!
04/12/2022 22:50
terça-feira, 1 de novembro de 2022
Efeito Vendaval
Nada será fácil, nada será simples. Sinto que não consigo estabelecer uma conexão real com o mundo ou com as pessoas; meu corpo, meu eu e minha alma exigem muito mais do que eu mesma consigo mensurar. Me sinto sufocada. Me sinto vazia.
Há uma imparcialidade em mim diante da vida, uma falta de paciência que me impede de lidar com o que chamam de "real". Vou seguindo conforme o tempo, às vezes na direção do vento, mas há dias em que me canso de mim mesma. Há dias em que o fim parece ser a única paisagem que desejo contemplar.
Ando no limite. A vida insiste em me trazer pessoas perdidas no tempo, e eu juro que tento me encaixar, mas meu corpo cansa da falta de sintonia. Cansa do oco.
Mais uma vez, sigo meus instintos. Mesmo que o mundo diga que estou errada, sinto que finalmente acertei ao dar um basta em toda situação chata. Era insustentável viver sob o peso das mentiras alheias. O que passou, deixo para trás. Dou passos adiante porque hoje me sinto liberta.
Sou feita de fases, como a Lua. Eu vivo e me alimento daquilo que me preenche; e se nada recebo, volto imediatamente ao encontro do meu eu.
Meu coração ainda é dominado pela raiva e pela impulsividade. É por isso que não permito mais que qualquer um entre na minha vida: muitos não têm nada a oferecer além de um saco vazio. Sugam minha paz, drenam minha energia.
Se a vida brinca comigo, eu mudo as regras. Se para ser feliz eu preciso ser "ruim" aos olhos dos outros, que assim seja. Protegerei meu território. Minha felicidade não será mais o banquete de quem só sabe consumir.
"Conteúdo autoral baseado em uma linha de pensamento particular. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização prévia por escrito de Laise Leite."
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domingo, 23 de outubro de 2022
O melhor ainda está por vim!
Des do dia que
conheci nunca me trouxe nada além de amor alegrias carinho abrigo amizade gratidão
generosidade incentivos e conselhos, são tantas coisas para descrever o que sinto
e o que penso sobre cada um, sobre meu apego sobre o meu amor.
Não há um dia se quer
que eu não esteja conectada em vocês entre fotos e vídeos entre todas as
recordações, acho que toda army carrega um pedaço de vocês por onde vai a memória
do celular 90% são fotos e vídeos dos meus meninos Jin meu anjo, Nam meu líder
professor, Suga dono da BH e meu patrão, Jimin meu amor minha vida minha lua,
Tae meu eterno fascínio eu me perco nesse seu olhar, meu baby Jeon sempre será
assim para mim essa doçura e generosidade do olhar que transborda cerca todos a
sua volta, Jhope meu sol ele com seu sorriso que toma o mundo de alegria.
E difícil dizer até #2025
Não havia me dado
conta ou caído a ficha de tudo até que no outro dia após a notícia sair sobre
ia ao exército chegar tentei ser forte mais quando chegou à noite o mundo caiu
sobre mim e veio à tona que são dois anos longe mesmo eu entendendo toda
situação o coração sofre.
Desculpa meu jeito egoísta de desejar que fique mais, um pouco mais e que está tão difícil eu juro que está eu sei que aos poucos eu vou me adaptar mais não vou deixar de sentir a dor da ausência a saudade a enorme saudade.
quinta-feira, 20 de outubro de 2022
~42 - Sam Kim
terça-feira, 18 de outubro de 2022
sábado, 8 de outubro de 2022
BTS - Filmar Fora
Jhope - Chicken Noodle Soup
💜⟭⟬ᗷTS⟭⟬💜
quinta-feira, 29 de setembro de 2022
domingo, 25 de setembro de 2022
Crush - Alone
Todos os dias eu acabo descobrindo mais uma linda canção do cantor Crush e acabo me apaixonando.
Quando você se sentir sozinho
Não importa qual escuridão nos engula
Vou te proteger, sempre naquele lugar
Para você não se sentir solitário
Estou aqui, pode chorar o quanto quiser
Para acompanhar mais sobre o Crush, confere lá na sua pagina do #youtube
👇
Crush - Rush Hour Feat. j-hope of BTS
quarta-feira, 21 de setembro de 2022
Estação de Trem 1998 - Capítulo IV
Você pegou meus sapatos e os calçou em meus pés. Enquanto eu tremia de frio, você me levantou e apenas me abraçou para me aquecer. De repente, avistei o ônibus, mas você não me desprendeu de ti nem por um minuto. Entramos no ônibus e você sentou-se ao meu lado. Eu espirrava; você colocou minha cabeça sobre teus ombros e deixou o nosso ponto passar despercebido. Descemos bem distantes de casa e, enquanto caminhávamos, você segurava minhas mãos. Quando chegamos no prédio, cada passo ao subir as escadas era uma despedida, até que dissemos, finalmente, um tchau.
Entrei no apartamento e o Julian não estava lá. Em cima da mesa, havia um bilhete informando que ele precisou fazer uma viagem urgente. No dia seguinte, no caminho do trabalho, eu te encontrei e nos cumprimentamos. Pegamos aquele elevador sozinhos e você o direcionou para a cobertura. Eu fiquei completamente confusa. Quando, por fim, o elevador parou, você segurou a minha mão e me arrastou até aquele vazio, aquele silêncio longe do mundo e à vista do Deus que habitava o céu.
— Eu só me permiti.
Aquele dia nossas vidas mudavam e começamos a caminhar juntos. Meus medos permaneciam a crescer dentro de mim. “Estávamos namorando”.
Mas, ontem, tudo mudou. Comecei a sentir um incômodo e uma exaustão. Enquanto eu lavava o rosto no banheiro, meu celular despertou e veio a seguinte lembrança: aniversário do Julian. Fui tomada pela dúvida e pela ansiedade. Na hora do almoço, fui até a farmácia e comprei um teste de gravidez. De volta ao trabalho, corri para o banheiro; lá, eu queria tirar o peso que habitava dentro de mim. Enquanto eu esperava, o coração se torturava...
Tomei coragem e abri os olhos. Deparei-me com o resultado; as lágrimas escorreram com a notícia inesperada. Respirei fundo e tentei me controlar. Voltei para o trabalho e, assim que terminei o expediente, saí às pressas. Peguei um táxi em sentido à clínica e lá, mais uma vez, escutei o que já sabia. Tentei me acalmar, mas só conseguia chorar. Meu telefone tocava sem parar e eu apenas deixei passar todas as ligações, até chegar em casa. Lá, na porta, estava você a me esperar.
Você me segurou e me trouxe para o teu apartamento. Eu não conseguia dizer nada. Quando você me perguntou o que eu tinha, abri a bolsa e retirei o exame. Você abriu e, lendo o resultado, me abraçou. Nunca tinha te visto chorar daquela maneira. Me desprendi de teus braços e olhei em teus olhos, e você me pediu para não dizer adeus. Me fez prometer que eu nunca contaria a verdade; que caminharíamos juntos e que você seria o pai do meu filho. Eu apenas aceitei omitir toda essa verdade. Esse era o nosso maior segredo.
"Conteúdo autoral baseado em uma linha de pensamento particular. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização prévia por escrito de Laise Leite."
"Sinta-se à vontade para compartilhar suas opiniões nos comentários. Este espaço é uma expressão da minha subjetividade e não tem a pretensão de interferir na sua verdade individual ou crenças pessoais."
Estação de Trem 1998 - Parte III
Mas nada era para sempre. No meio dos nossos sorrisos, ela surgiu e te chamou. Ali parada, nos olhando, a sua expressão dizia muito mais que palavras; você estava irritada, demonstrava insatisfação. E você, meu amigo, nem se despediu; correu para os braços de sua amada e a abraçou. Ela me olhou profundamente, e você se virou e se despediu com um tchau — ou um adeus.
Caminhei sozinha até o prédio. Subi as escadas com o peso de cem anos no meu corpo. Enquanto subia, pensava na minha vida; então tomei uma decisão. Foi quando, no meio da escada, estava o Julian a me esperar, sentado sobre o degrau. Quando ele me avistou, se levantou. Fui pega de surpresa, nem sabia como reagir. Ele me abraçou e segurou a minha mão; pensei em me desprender, mas fui aceitando suas mãos entrelaçarem meus dedos. Fomos caminhando até meu apartamento e, ao abrir a porta, ele me roubou um beijo e ali resolvi me dar uma nova chance.
Era por volta de três horas da manhã quando a campainha tocou. Me levantei às pressas, estava sonolenta. Abri a porta do jeito que estava e me deparei com você, desesperado e ofegante. Só me olhou, e quando pensou em dizer algo, se deparou com o Julian. O silêncio fez moradia e, depois daquele dia, as nossas páginas foram reescritas.
Nos encontrávamos no trabalho, nos corredores e nas ruas, e falávamos apenas quando queríamos falar; nos evitávamos até nos elevadores. Por isso eu pergunto: quando foi que tudo começou? Foi quando nos perdemos ou foi quando fomos roubados?
E hoje?
Eu trabalhei até mais tarde e, quando saí, me deparei com você. Fomos pegos pela chuva intensa que caía; ela nos prendeu. Presos na porta do prédio da empresa, esperando o tempo cessar. Ali, só a chuva caía do céu; o silêncio era o único conforto. Por fim, o tempo passava e aquela chuva parecia não ter fim. Decidi, então, tirar os sapatos e caminhar na chuva; segui em direção ao ponto de ônibus. Quando estava bem distante, olhei para trás e você estava ali parado, inquieto, olhando apenas a chuva.
Ao chegar no ponto de ônibus, me sentei e fiquei ali descalça. O vento que passava me congelava. Não avistava ônibus, apenas luzes. A chuva foi cessando enquanto esperava. Quando pensei em desistir e resolvi chamar um táxi, você chegou. Me cobriu com seu casaco e me fez sentar novamente; ali se sentou ao meu lado. Por que tudo estava como aquele vento frio? Ali pensei em te perguntar: por que fizemos do silêncio uma escuridão? Mas eu tinha medo até de perder o silêncio.
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Estação de Trem 1998 - Capítulo I
Estendi a minha mão sem ao menos entender as ações. Foi quando, de fato, me surpreendi.
Ele foi colocando um anel em meu dedo, sem dizer nada. Suas ações e o seu olhar transpassavam calma e sinceridade; uma serenidade de que tudo estava bem e de que ali era o meu lar. Ele não disse nada, somente sorriu e segurou minha mão firme, e então caminhamos. Acho que foi uma maneira de expressar seu amor, entregando ao mundo a sua verdade.
Entre todos os sentimentos que sentia naquele momento, me entreguei à felicidade: meu melhor amigo agora era o meu amor. A surpresa dos detalhes me tomava o fôlego. Os pensamentos e as dúvidas me cercavam: quando começaram a surgir esses teus sentimentos? E quando eu comecei a transparecer os meus? Quando foi que comecei a gostar de você?
Sempre levamos nossa amizade tão a sério; tínhamos esse elo que nos prendia um ao outro, éramos como complementos de uma fórmula. Tivemos nossas paixões e partilhamos desses nossos desencontros. Será que percebemos isso no seu último relacionamento, ou foi quando trocamos um beijo naquela brincadeira entre amigos?
Nos perdemos e nos encontramos. Nada mudou desde aquele dia, nossa amizade era a mesma, mas, volta e meia, eu pensava em você e te via, todos os dias, partilhar amor com outra pessoa. Cheguei a pensar que estivesse ficando louca, de me deixar levar por essa obsessão. Que sentimentos eu tinha por ti? Quantas vezes me questionei? Não sabia responder nenhuma pergunta; só me deixei levar, levar a minha vida, a minha rotina e sustentar a nossa amizade do nosso jeito.
Mas, aos poucos, senti que a distância fazia moradia e a amizade ia se perdendo. E quando chegou a primavera, eu te revi. Quando saía de casa, me deparei com você no mesmo corredor, com ela. Estávamos tão perto, e existia um abismo entre nós. Nos falamos naquela manhã e eu segui adiante. Desci as escadas e caminhei pensando como foi estranho te rever. A solidão me tomou o peito.
Caminhei até a padaria e, enquanto pedia os pães, eu me perdia em pensamentos aleatórios; sei lá o que acontecia comigo. Quando dei por mim, falava sozinha. As pessoas me olhavam, e o padeiro ficou ali, me esperando sair do meu mundo aleatório. Pedi desculpas e, mais uma vez, enquanto pagava o pão, eu me perdi. Saí da padaria naquela manhã, envergonhada.
Caminhando de volta para casa, eu só queria esquecer meus constrangimentos alheios, e foi então que, de repente, surgiu uma chuva no meio do caminho. Comecei a correr, tentando me esquivar e tentando não molhar os pães; tentava apenas proteger a sacola. Enquanto corria para fugir daquela chuva, eu não sei... só me vi, de repente, no chão, após escorregar. Caí, ralei os dois joelhos e os cotovelos. Os pães caíram no chão. Eu estava encharcada da poça de água suja.
Fui tentando me levantar aos poucos, do susto, e continuei a caminhar na chuva até chegar em casa. A cada passo, subindo as escadas, eu me sentia envergonhada e cheia de dor. Só queria chegar em casa depressa e tomar um banho. Comecei a chorar e não sabia mais o que doía em mim; me vi como uma criança separada da mãe.
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Estação de Trem 1998 - Capítulo II
O Reencontro e o Balanço
Quando fui chegando nos últimos degraus da escada, você vinha descendo e ali nos confrontamos de frente. Eu, toda encharcada e suja, com joelhos e cotovelos ralados. Parei de subir assim que te reconheci pelas sandálias; estava envergonhada e triste. De repente, aquele dia virou entediante. Continuei a subir as escadas sem conseguir levantar meu rosto; andei depressa para abrir a porta e, após entrar no apartamento, corri para o banheiro. Debaixo do chuveiro me joguei, esqueci da dor; naquele instante, eu só sentia vergonha.
Assim que saí do banho, fiz os curativos e me deitei na cama. Parei uns minutos e fiquei pensando na vida; acabei dormindo e acordei com a campainha a tocar. Me levantei e fui abrir a porta, e de repente... era você. Na minha frente estava a pessoa para a qual eu não conseguia mais olhar nos olhos. Você apenas me abraçou forte e eu desabei em lágrimas. Mais uma vez, como uma criança buscando colo, eu me comportei. Você não disse nada, só continuou ali perto de mim. Naquele abraço morava o amor. Não sei quanto tempo ficamos ali parados, nem por que eu chorei tanto daquela forma, mas, no fundo de tudo aquilo, eu sentia uma profunda saudade. Saudade de você.
— Quando foram crescendo nossos sentimentos? Acredito que foi aos poucos!
Depois daquela noite, o silêncio voltou a ser mais persistente, e foi nesse nosso silêncio que transparecemos nossos sentimentos. Mas eu levei como nossa amizade, e você navegou. Fomos reconstruindo os laços que nos separaram e, afastando nossas incertezas, deixamos bailar o que tínhamos de precioso: nossa amizade. Mas nos perdemos tantas vezes nesse sentimento.
Como naquele dia em que decidimos, no caminho, tomar sorvete e sentamos na praça. Naquele balanço, rimos e você me sujou de sorvete; corremos ali feito crianças no parque e caímos ao chão. Rimos à toa naquela areia branca do parquinho, ficamos olhando para o céu. Levantamos sujos de areia e limpamos a roupa. Foi quando, de forma delicada, você tirou uma folha que se prendeu em meus cabelos. Meu rosto ficou vermelho e quente. Você sorriu e então fiquei envergonhada. Para descontrair, você bagunçou meu cabelo e correu. Eu saí correndo atrás de ti e então você parou. Foi quando eu, cansada, te alcancei; você segurou meus braços e me abraçou. Rimos. Ali, sem querer, eu me sentia em paz.
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Estação de Trem 1998 - Capítulo VIII
Ele encostou o carro e ali eu não pude mais adiar aquela conversa. Disse-lhe toda a verdade; eu precisava limpar meu coração:
— Julian, quando descobri que estava grávida, fiquei desesperada. Não sabia o que fazer, se deveria te contar, se você iria querer. Fiquei confusa, sem saber se você voltaria. Não queria destruir sua vida. Passou tanta coisa pela minha cabeça... Mas acabei destruindo mesmo assim. Me arrependo, mas, ao mesmo tempo, não. Lembre-se de que você nunca lutou por mim; talvez a minha escolha tenha sido a melhor para você na época. Me apaixonei pelo Henrique sem saber quando começou, e o amei até o dia de sua morte. Eu o respeitei pelo homem que foi para mim e para as crianças.
— E hoje? O que você sente?
— Eu sinto medo. Sinto-me cobrada, totalmente sufocada. Mesmo depois de tanto tempo, meus ex-sogros me tiram a paciência. Mas vai ficar tudo bem em breve.
— Eu não consigo te odiar — ele começou —, mesmo depois de tudo o que ocorreu. Te rever naquele dia foi como acender a chama que ardia dentro de mim; foi como a primeira vez que te vi no colégio. Só eu sei o quanto suportei todo esse tempo tentando compreender tudo. Você foi uma decepção, mas eu nunca conseguia sentir raiva. Meus sentimentos só cresciam; quanto mais longe eu estava, mais pensava em você. Quando você disse que nunca lutei por nós dois, é verdade. Eu tinha medo de não ser suficiente, de não conseguir te fazer feliz como você merecia. Eu vivia na minha escuridão; tinha medo de te perder e, ao mesmo tempo, não queria te prender. Mas eu te perdi e sofri muito. Segui minha vida me sentindo culpado, mas, depois que o tempo passou, achei que havia superado. Ao retornar para esta cidade e encontrar o Bryan, despertei um sentimento que nunca havia tido. É injustificável qualquer coisa que tente me dizer, mas meu coração, mesmo partido, não consegue deixar de amar você. Minha maior loucura era você. Eu tinha raiva e amor; tinha gratidão e mágoa.
Ele fez uma pausa, olhando para o horizonte, e continuou:
— Minha felicidade me preocupava e eu tinha medo de não conseguir o amor de alguém que viveu longe de mim. Escolhi perdoar você porque você me deu um sentido para viver todos os dias. Conhecer o Bryan despertou um sentimento que nunca imaginei. Tenho raiva do Henrique; ele tirou de mim a minha conexão paternal, ele me apagou. Construir isso com o Bryan será árduo, mas eu enfrentarei. Não consigo ficar longe dele um instante sem sentir saudade. Te rever sempre me causa dor — pelo amor e pelas mentiras do passado — mas estou tentando ser firme comigo mesmo. Meus pais nem acreditam sobre o Bryan. Você negou a existência dele e arrancou a nossa chance de vivermos juntos. Não é tarde, mas não posso voltar dezoito anos e acompanhar o crescimento dele. No entanto, vou tentar ser o pai dele hoje, amanhã e até quando eu estiver aqui.
"Enquanto houver nós dois, que possamos respeitar o nosso espaço e dar o tempo que for preciso. Eu acolhi, com o mesmo amor, todos os seus filhos e quero estar presente na vida deles; não quero substituir ninguém, só quero estar lá. Eu continuei te amando e vejo em teus olhos uma dor imensa e um desejo de se permitir. Faça o que seu coração deseja. Eu estarei aqui te esperando, como naquela estação de trem em 1998."
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Estação de Trem 1998 - Capítulo VII
O Peso da Verdade e a Reconstrução
O Henrique, ao ver toda aquela cena, caiu no chão e, segurando o peito, desmaiou. Naquele dia, todas as máscaras estavam caindo. Eu, segurando o Henrique em meus braços enquanto o Bryan, em choque, chamava por ele, e o Julian corria até o carro. A caminho do hospital, tudo parecia desabar. O Bryan, segurando o Henrique, ouviu-o pedir perdão e se despedir. Em seus braços, ele veio a falecer. O desespero do Bryan e o meu desespero se encontraram; quando chegamos ao hospital, nada mais poderia ser feito. Apenas as lágrimas rolavam e nossos corações se despedaçavam. O Julian abraçou o Bryan, que chorou ali, sem forças. Tudo foi tão tragicamente escrito pelo destino que nos restava apenas sentir a nossa dor.
Todo o processo de funeral e luto se seguiu. O tempo e o apoio que o Julian nos deu me fizeram sentir grata, mesmo depois de tudo o que eu o fiz. O Bryan estava muito mais reservado, e o Julian respeitou sua decisão e, durante muitos meses, esperou o tempo em que pudessem conversar. Meus outros dois filhos não aceitavam a morte do pai. Foi um processo muito delicado; o Antony, com 16, e a Karolaine, de 15, além do Bryan, de 18. Todos estávamos com o coração ferido; tudo em nossa casa remetia à lembrança do Henrique.
Durante muitas vezes, a comunicação do Julian foi inteiramente direcionada ao Bryan. E, apesar de tudo, o Bryan me perdoou. Após a morte do Henrique, pensei muito na nossa mentira. Assim, os dias foram decorrendo e, quando vimos, já se completava um ano e seis meses que o Henrique havia falecido. Eu estava saindo do mercado quando parei no sinal e o carro que estava ao lado era o do Julian. Foi tão inesperado, mas nos cumprimentamos e eu segui para casa.
Os meses percorreram rapidamente, com minha rotina exaustiva de trabalho e cuidar das crianças. Chegava, por fim, mais um Natal, e neste ano o Bryan me pediu para o Julian participar da cerimônia em nossa casa. Eu jamais poderia negar. Comemoramos aquele Natal e a troca de presentes entre nós. A noite ia se despedindo enquanto conversávamos, e quando nos demos conta, o dia havia amanhecido. O Julian se despediu de nós e fomos descansar. Acordamos pela tarde e o Julian havia marcado de nos levar para um jantar. Ele era bem atencioso com o Bryan e seus irmãos; eu não sabia, muitas vezes, expressar a minha gratidão ao Julian por todo o afeto que ele doava.
Precisei fazer uma viagem de emergência para visitar meus pais, e o Julian se prontificou a me acompanhar. Era estranho, ao mesmo tempo que não era. Ao chegar na casa dos meus pais, minha mãe disse que meu pai estava no hospital, tinha quebrado a perna. Eu fiquei tão tensa que acabei passando aquela noite lá, e o Julian ficou ao meu lado. Acabamos dividindo o mesmo quarto, mas dormimos separados. Pela manhã, fomos visitar meu pai e contratei uma enfermeira para ficar com ele. Eu me despedi dos meus pais e retornei para casa com o Julian. Meus pais adoraram revê-lo, ficaram muito felizes. Seguimos viagem e todo aquele percurso foi em silêncio, ou posso dizer, parte do caminho. Até que... o Julian me questionou: "Por que você mentiu?"
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Estação de Trem 1998 - Capítulo VI
O Desmoronar do Castelo
— Olhando para todo o meu passado, tive que refletir bastante para acreditar, e cheguei à conclusão de que vivi uma mentira. Vocês roubaram de mim tudo o que sempre desejei ter; roubaram a chance de viver, ensinar, amar, cuidar, proteger e ouvir. Deveria estar com raiva, mas não consigo. Eu partilhei um momento ao lado dele hoje, mas quando desci daquele carro e olhei nos olhos daquele rapaz e em seus traços, eu me vi jovem. Confesso que levei um susto, mas achei que fosse coisa da minha imaginação, até que vi uma foto sua no carro. Foi quando tudo desmoronou, e a vida trouxe para mim o seu castelo de mentiras.
— E agora? O que você pretende dizer? Ou fazer? — ele continuou. — Quem foi o errado nessa história? Foi o Henrique ou foi você? Na verdade, os dois. Mas de quem foi a ideia de me roubar essa chance? Fala!
— Eu posso te explicar... — foi a única coisa que consegui dizer.
— Estou ouvindo.
— A culpa foi realmente minha, Julian!
— Será? Não importa mais quem errou. Eu só quero que ele saiba quem eu sou.
— Como?
— Como você acha? Se vocês não contarem, eu mesmo direi.
Saí daquela praia pensando em como iria dizer ao Henrique que estávamos sem escolha. Dirigi até em casa e, quando cheguei, o Henrique estava me esperando na sala. Fomos para o escritório e lá eu despejei tudo o que estava preso. O Henrique estava inconformado; mesmo não querendo admitir, ele tinha medo de perder o amor do Bryan. Mal conseguimos dormir naquela noite.
Na tarde do dia vinte e um de outubro, marcamos de sair com o Bryan para jantar. Dirigimos até a praia; havia um restaurante bem próximo. Enquanto conversávamos e bebíamos, o Julian chegou. Foi constrangedora aquela situação. Pedi a conta e me levantei. Saímos do restaurante e caminhamos até a areia. Frente ao mar, sentimos aquela brisa chegar. O Bryan adorava os eventos em família, mas aquilo foi mais que um jantar ou um encontro familiar. Olhei em seus olhos e disse:
— Filho, precisamos conversar.
E ali, sentados naquela pedra, eu e o Henrique contamos toda a verdade. O Bryan chorava, sem entender nada, nem os motivos injustificáveis. O Julian foi se aproximando, e foi quando eu os apresentei como pai e filho.
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Estação de Trem 1998- Capítulo V
A Estrada da Verdade
Tantas coisas aconteceram depois daquela decisão. Nos casamos, tivemos outros filhos, mas a culpa morava dentro de mim; cada vez que olho para nosso filho, sinto-me a pior pessoa do mundo. O Julian nunca aceitou a forma como terminamos. Passamos um tempo sem nos falar, mas, depois de alguns anos, conseguimos nos olhar e nos cumprimentar. Ele nunca conseguiu se casar e nem teve filhos; acredito que a minha culpa pesava mais pelo fato de eu me sentir a pessoa que destruiu e tirou dele a única coisa que o faria feliz: o nosso filho, Bryan.
O Bryan tinha a cor dos olhos do Julian, azuis como o céu. O Julian nunca o tinha visto em nenhuma ocasião enquanto esteve por aqui na cidade, mas, no dia vinte de outubro, tudo aconteceu de forma inexplicável. Enquanto o Bryan ia para a faculdade, seu carro quebrou no meio da estrada e o único carro que passou, no exato momento, foi o do Julian.
O Bryan estava se tornando um homem admirável; a cada dia ele nos surpreendia nos detalhes, suas qualidades encantavam. O Henrique tinha um apreço muito especial pelo Bryan, eles eram muito unidos e possuíam uma conexão genuína. Mas todo o nosso círculo estava por um fio de desatar o nó; aquela estrada rompia as nossas mentiras de dezoito anos. Quando aquele carro parou em frente à minha casa e o Bryan desceu, seguido pelo Julian, meu coração acelerou. Eu perdia as forças. O Julian me olhava profundamente nos olhos, e foi quando o Henrique abriu a porta e se deparou com o nosso maior segredo.
O Bryan apenas disse: — Mãe, este é o senhor Julian, ele me ajudou na estrada, o meu carro quebrou.
Me segurei para não desabar e, quando o Bryan passou por mim, as lágrimas escorreram. Sem dizer nada, o Henrique agradeceu ao Julian, que, parado, observava surpreso toda aquela situação inesperada. Ele não disse nada, apenas entrou em seu carro e dirigiu.
A culpa nos cercava. Peguei as chaves do carro e dirigi até a praia, onde sabia que encontraria o Julian. Quando ele me avistou, esperou até que eu me aproximasse. Quando, por fim, cheguei perto, ele me disse:
— Sempre fiquei imaginando como seria ver uma criança correr pela casa, os seus primeiros passos, a primeira vez no colégio e quando ele me contasse suas histórias. Sempre tive inveja de todos, até tive de você. Eu nunca procurei ver os rostos de seus filhos; mesmo depois de tudo o que aconteceu, acreditei que você fosse verdadeira. Mas hoje eu descobri que não bastavam as decepções daquela época, ainda teria mais.
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