quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Estação de Trem 1998 - Capítulo II

 

O Reencontro e o Balanço

Quando fui chegando nos últimos degraus da escada, você vinha descendo e ali nos confrontamos de frente. Eu, toda encharcada e suja, com joelhos e cotovelos ralados. Parei de subir assim que te reconheci pelas sandálias; estava envergonhada e triste. De repente, aquele dia virou entediante. Continuei a subir as escadas sem conseguir levantar meu rosto; andei depressa para abrir a porta e, após entrar no apartamento, corri para o banheiro. Debaixo do chuveiro me joguei, esqueci da dor; naquele instante, eu só sentia vergonha.

Assim que saí do banho, fiz os curativos e me deitei na cama. Parei uns minutos e fiquei pensando na vida; acabei dormindo e acordei com a campainha a tocar. Me levantei e fui abrir a porta, e de repente... era você. Na minha frente estava a pessoa para a qual eu não conseguia mais olhar nos olhos. Você apenas me abraçou forte e eu desabei em lágrimas. Mais uma vez, como uma criança buscando colo, eu me comportei. Você não disse nada, só continuou ali perto de mim. Naquele abraço morava o amor. Não sei quanto tempo ficamos ali parados, nem por que eu chorei tanto daquela forma, mas, no fundo de tudo aquilo, eu sentia uma profunda saudade. Saudade de você.

— Quando foram crescendo nossos sentimentos? Acredito que foi aos poucos!

Depois daquela noite, o silêncio voltou a ser mais persistente, e foi nesse nosso silêncio que transparecemos nossos sentimentos. Mas eu levei como nossa amizade, e você navegou. Fomos reconstruindo os laços que nos separaram e, afastando nossas incertezas, deixamos bailar o que tínhamos de precioso: nossa amizade. Mas nos perdemos tantas vezes nesse sentimento.

Como naquele dia em que decidimos, no caminho, tomar sorvete e sentamos na praça. Naquele balanço, rimos e você me sujou de sorvete; corremos ali feito crianças no parque e caímos ao chão. Rimos à toa naquela areia branca do parquinho, ficamos olhando para o céu. Levantamos sujos de areia e limpamos a roupa. Foi quando, de forma delicada, você tirou uma folha que se prendeu em meus cabelos. Meu rosto ficou vermelho e quente. Você sorriu e então fiquei envergonhada. Para descontrair, você bagunçou meu cabelo e correu. Eu saí correndo atrás de ti e então você parou. Foi quando eu, cansada, te alcancei; você segurou meus braços e me abraçou. Rimos. Ali, sem querer, eu me sentia em paz.

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