O Peso da Verdade e a Reconstrução
O Henrique, ao ver toda aquela cena, caiu no chão e, segurando o peito, desmaiou. Naquele dia, todas as máscaras estavam caindo. Eu, segurando o Henrique em meus braços enquanto o Bryan, em choque, chamava por ele, e o Julian corria até o carro. A caminho do hospital, tudo parecia desabar. O Bryan, segurando o Henrique, ouviu-o pedir perdão e se despedir. Em seus braços, ele veio a falecer. O desespero do Bryan e o meu desespero se encontraram; quando chegamos ao hospital, nada mais poderia ser feito. Apenas as lágrimas rolavam e nossos corações se despedaçavam. O Julian abraçou o Bryan, que chorou ali, sem forças. Tudo foi tão tragicamente escrito pelo destino que nos restava apenas sentir a nossa dor.
Todo o processo de funeral e luto se seguiu. O tempo e o apoio que o Julian nos deu me fizeram sentir grata, mesmo depois de tudo o que eu o fiz. O Bryan estava muito mais reservado, e o Julian respeitou sua decisão e, durante muitos meses, esperou o tempo em que pudessem conversar. Meus outros dois filhos não aceitavam a morte do pai. Foi um processo muito delicado; o Antony, com 16, e a Karolaine, de 15, além do Bryan, de 18. Todos estávamos com o coração ferido; tudo em nossa casa remetia à lembrança do Henrique.
Durante muitas vezes, a comunicação do Julian foi inteiramente direcionada ao Bryan. E, apesar de tudo, o Bryan me perdoou. Após a morte do Henrique, pensei muito na nossa mentira. Assim, os dias foram decorrendo e, quando vimos, já se completava um ano e seis meses que o Henrique havia falecido. Eu estava saindo do mercado quando parei no sinal e o carro que estava ao lado era o do Julian. Foi tão inesperado, mas nos cumprimentamos e eu segui para casa.
Os meses percorreram rapidamente, com minha rotina exaustiva de trabalho e cuidar das crianças. Chegava, por fim, mais um Natal, e neste ano o Bryan me pediu para o Julian participar da cerimônia em nossa casa. Eu jamais poderia negar. Comemoramos aquele Natal e a troca de presentes entre nós. A noite ia se despedindo enquanto conversávamos, e quando nos demos conta, o dia havia amanhecido. O Julian se despediu de nós e fomos descansar. Acordamos pela tarde e o Julian havia marcado de nos levar para um jantar. Ele era bem atencioso com o Bryan e seus irmãos; eu não sabia, muitas vezes, expressar a minha gratidão ao Julian por todo o afeto que ele doava.
Precisei fazer uma viagem de emergência para visitar meus pais, e o Julian se prontificou a me acompanhar. Era estranho, ao mesmo tempo que não era. Ao chegar na casa dos meus pais, minha mãe disse que meu pai estava no hospital, tinha quebrado a perna. Eu fiquei tão tensa que acabei passando aquela noite lá, e o Julian ficou ao meu lado. Acabamos dividindo o mesmo quarto, mas dormimos separados. Pela manhã, fomos visitar meu pai e contratei uma enfermeira para ficar com ele. Eu me despedi dos meus pais e retornei para casa com o Julian. Meus pais adoraram revê-lo, ficaram muito felizes. Seguimos viagem e todo aquele percurso foi em silêncio, ou posso dizer, parte do caminho. Até que... o Julian me questionou: "Por que você mentiu?"
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