domingo, 25 de outubro de 2026

Quando o Olhar Engana a Noite - Silêncios Mal-Interpretados - Parte I

 

Uma mentira mal contada ou mal interpretada? Cheguei à conclusão de que não valia a pena justificar nada do que já estava concretizado nas tuas convicções. Nunca pensei que um olhar sem pretensão alguma se fosse transformar na complexidade em que me colocou.

O meu jeito de ser causou uma impressão devastadora sobre as tuas certezas. A minha postura, os meus traços e as minhas atitudes trouxeram um jogo de desconforto e geraram confusão. A festa transformou-se em fofoca e o meu nome virou assunto. Mas foi só anos depois que soube de toda a verdade.

Naquele dia, naquela festa, um convite comum para um encontro entre colegas de trabalho parecia uma celebração como qualquer outra — uma troca de ideias e uma despedida para o recesso. Contudo, uma má interpretação gerou aquele falatório. Tu, Thomaz — sim, tu mesmo —, tiraste conclusões precipitadas de algo natural e sem propósito algum.

E começa aqui o meu conflito de amor.

O Thomaz, o meu atual namorado, antes de nos tornarmos um casal, provocou um verdadeiro turbilhão na minha vida. Na festa da empresa onde trabalhávamos, ele achou por bem comentar com outro rapaz que eu estava interessada nele, mas que ele não queria nada comigo — e que, mesmo assim, eu continuava a dar sinais de afeto.

Mas o pior de tudo foi que o rapaz a quem ele fez esse comentário era justamente de quem eu gostava na empresa. Por causa disso, esse rapaz ficou com uma péssima impressão de mim, chamando-me vulgar, fútil e interesseira. Bem, eu só soube de tudo isto anos depois daquela festa, porque acabei por reencontrar a irmã dele no shopping, trocámos contatos e ela acabou por me contar.

O clima ficou tenso, mas a conversa não parou por ali. Esclareci todo o contexto da situação, mas preferi deixar todo aquele assunto no esquecimento. No entanto, a Luana resolveu contar ao irmão, o Benjamin. Ele ficou cheio de dúvidas e passou dias a refletir sobre o assunto. Já eu, segui com a minha vida normalmente. Pensava por vezes nas fofocas da época, mas já não tinham qualquer significado para mim: eu já estava noutro trabalho e aquele ciclo tinha-se encerrado.

"Conteúdo autoral baseado em uma linha de pensamento particular. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização prévia por escrito de Laise Leite."

"Sinta-se à vontade para compartilhar suas opiniões nos comentários. Este espaço é uma expressão da minha subjetividade e não tem a pretensão de interferir na sua verdade individual ou crenças pessoais."

 

Ele, como tantos outros, parece procurar alguém do seu próprio mundo - não vai buscar uma mulher de outro País de origem, desprovida financeiramente que não fala seu idioma e muito menos que não corresponda às suas expectativas pessoais.

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Meu Eu

 - O amor foi feito para eu não viver na vida real e sim para contar feito uma mentira que nunca vivi!


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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

O RUIVO - PARTE 8

 

Era o nosso segredo. Ele saía do trabalho e passou a ficar mais na minha casa do que na dele. Eu adorava vê-lo fardado, sentia orgulho de suas conquistas, mas se tornava a cada dia mais arriscado alguém nos pegar. Ele me questionava por que eu não queria que ninguém soubesse. Na verdade, os pais dele já sabiam, mas eu não me sentia confiante com nada. Vivíamos entre nossos encontros às cegas, naquele romance cheio de adrenalina; qualquer encontro era uma tempestade que não conseguia se conter.

A mãe dele volta e meia pedia um neto, e eu fingia não ouvir quando ele falava disso para mim, mas escutava todas as vezes. Eu achava tudo incerto e quis deixar como estava, mas ele parecia meio impaciente. No aniversário dele, com nossos amigos em comum, ele resolveu me beijar na frente de todos. O Ryan ficou me olhando e todos ficaram surpresos. Entre os brindes, a Lily se chateou, mas ela sabia de mim muito antes de eu saber. Seguimos com a noite: o ruivo decidiu escancarar para o mundo nossa vida particular.

Passamos a deixar o oculto aberto, feito livro. Namoramos, entramos nessa relação sem nada e temos hoje um ao outro. Meus preconceitos existem dentro de mim, mas ele odeia só de eu tocar nesse assunto fútil. Ele pede para oficializarmos logo nossa união; já perdi as contas dos pedidos de casamento, mas eu ainda me recuso por medo. Ele morre de ciúmes do Ryan.

Esses dias, vimos uma criança brincando no parque e ele disse: — Podemos tentar, amor?

As coisas saindo da boca dele parecem tão fáceis; já na minha visão, não são. Mas mal sabia eu do destino.

Dias depois, tive um mal-estar e quem estava de plantão e fez meu atendimento foi o Ryan. Ele pediu uma ultrassom e, assim que viu a tela do monitor, as lágrimas começaram a escorrer. Olhando para mim, ele disse: — Parabéns, você está grávida! — Fiquei surpresa, e ele completou: — Poderia ser nosso... Mas agora é de outro. Desculpa, esse é meu lado homem gritando por sempre achar que ia ter o seu amor. Mas eu perdi...

Saí da sala radiante e fui para casa. Preparei uma surpresa para o Dom e, quando ele chegou do trabalho, me procurou pela casa. Eu estava lá esperando, no quarto, com um presente nas mãos e um sorriso nos olhos. Ele foi abrindo a caixa, caindo de joelhos, perguntando o que era, e eu rindo alto... Quando ele finalmente abriu, começou a chorar, me abraçou e ligou para os pais. Ele estava em êxtase.

Festejamos juntos e dormimos planejando um futuro para quem estava chegando. O destino nem sempre é o que você deseja; é algo que você não espera chegar.

O que achou dos ajustes? O final com o presente, o desabafo do Ryan no ultrassom e a reação do Dom trouxe um desfecho muito emocionante!

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domingo, 18 de outubro de 2026

O RUIVO - PARTE 7

 

Naquela mesma noite, eu já dormia por volta das 00:11 quando ouvi batidas na porta. Olhei no olho mágico, vi o ruivo e pensei: "Está louco!". Voltei para a cama. Foi então que a campainha tocou várias vezes. Olhei novamente e abri a porta, bem tensa. Ele me olhou e, sem pensar duas vezes, me tascou um beijo de tirar o fôlego. Aquele rapaz de 1,87 m me tascou um beijo que me tirou do chão e me roubou o ar. Depois se desprendeu de mim e desceu as escadas.

Fiquei perdida, sem saber o que realmente pensar. Não consegui pregar o olho. Esperei por ele na empresa, mas ele não foi, e eu nem poderia perguntar a ninguém por ele. Deixei aquilo como uma alucinação.

Mas, naquela tarde, meu telefone tocou e era ele: queria me encontrar no jantar na casa de seus pais. Como assim? Eu já estaria lá de qualquer forma...

Ele deu seu jeito de se camuflar na multidão naquela festa. Arrastou-me para o escritório e me beijou. Parece que eu queria, eu esperava, mas não podia... Parece que meu corpo chamava o dele, tínhamos uma química extraordinária. Uma chama tocava nós dois; cada toque era suspirar com saudade e com sede de querer permanecer ali. Do lado de fora, ouvia alguém me chamar e ele não me soltava de seus braços: uma mão na cintura e a outra nos meus cabelos, pedindo-me para ficar em silêncio.

Eu estava ficando louca. Quando caí na real, soltei-me dele — o filho do patrão e ainda mais jovem do que eu. Voltei a mim, respirei fundo e saí da sala. Mas foi difícil fugir dele. Todos os encontros tinham um beijo roubado e não dava mais para fugirmos: deixei-me levar.

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O RUIVO - PARTE 6

Dias se passaram. Foi enquanto eu estava no restaurante esperando ser atendida que você surgiu, sentou-se na minha frente e almoçou como um desconhecido. Mudei de lugar, pois a luz do sol me incomodava.

Retornei ao trabalho e foi quando você chegou. Foi automaticamente recebido com muito louvor por todos e eu fiquei sem entender absolutamente nada. Foi quando me explicaram que você era filho dos donos. Hum... Então está aí o mistério! Retornei ao meu serviço e deixei o mundo parar por ele.

Na saída do trabalho, as meninas me chamaram para um café. Eu recusei, estava muito cansada e queria ir para casa, mas logo fui convencida. Ele mais uma vez estava lá, mas desta vez sentou-se ao meu lado. Logo cedi meu lugar para alguém que estava apaixonada por ele; eles trocaram telefone, química, olhares — essa era a fantasia dos sonhos dela. A minha deixa para ir embora foi ver o carro do Ryan chegar. Levantei-me, andei até a porta e saí sem nem o cumprimentar, fingindo não vê-lo. Começou a chover e continuei mesmo assim a correr, mas foi quando ele me segurou pelo braço e disse: — Por quê?

Não respondi, nem precisava. Só puxei meu braço e segui até o ponto.

Peguei uma gripe e fiquei dias sem trabalhar. Quando retornei, foi no evento beneficente: fiquei na recepção direcionando os médicos convidados da palestra aos seus devidos lugares. Seguimos com o evento como planejado, mas, na minha ida a uma das salas de prêmios, deparei-me com o ruivo. Cumprimentei-o, segui meu caminho, entrei na sala, peguei os itens e retornei para os bastidores.

Dentre a festa de recepção, precisei ir à cozinha, e foi neste percurso que ele me encurralou. Colocou-me contra a parede e, olhando em meus olhos, respirou fundo. Fiquei assustada e sem compreender: — Aconteceu alguma coisa? — perguntei.

Ele, apenas olhando para mim, saiu. Pensei: "A bebida fez efeito".

Voltamos às nossas rotinas e nada mais aconteceu. Desde aquele dia não via mais o ruivo nem o Ryan; tudo parecia muito calmo, então comecei a me acostumar com o silêncio. Mas parece que, quando você preza por um equilíbrio, você quebra a cara.

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sábado, 17 de outubro de 2026

Frequências Cruzadas

Anos se passaram. O tempo, suave e compassivo, levou embora a pressa das dúvidas e trouxe consigo a realização de um antigo desejo: uma viagem para a Itália.

Numa tarde ensolarada, ela caminhava sem rumo pelas ruelas históricas até se deparar com a imponência de uma antiga fonte de pedra, onde a água cristalina refletia o céu azul. Ajoelhou-se na borda, ajeitou a câmera do celular e buscou o melhor ângulo para registrar a cena. Queria eternizar aquele instante de paz.

Ao enquadrar a lente, algo no fundo da imagem chamou sua atenção. Um rosto familiar atravessou a tela.

Ela baixou o celular devagar, o coração dando um salto involuntário. A poucos metros de distância, do outro lado da fonte, estava ele. O mesmo homem que, anos atrás, no calor da Bahia, cruzara seu caminho num esbarrão apressado na saída daquele restaurante.

Por um segundo, o tempo congelou. A memória daquele olhar raso que nem a notara ao ir embora voltou como um eco distante.

Antes que qualquer pensamento pudesse tomar forma, uma criança pequena correu ao encontro dele, puxando-lhe a casaca e gritando alegremente: — Papà!

Ele sorriu, um sorriso pleno e caloroso, e pegou o filho nos braços.

Ela observou a cena e, aos poucos, um sorriso genuíno e leve brotou em seus próprios lábios. Ali, diante daquela fonte, tudo fez sentido. Compreendeu, sem mágoa ou remorso, que ele nunca fora o seu destino. Ele fora apenas alguém que passou por sua vida num instante preciso, absorvendo a energia e a poesia que ela emanava para que pudesse seguir seu próprio rumo e encontrar quem o completasse.

Ele virou o rosto e seus olhares se cruzaram por um breve segundo. Ele não a reconheceu; apenas retribuiu o sorriso com uma gentileza curiosa, achando estranho aquele olhar tão profundo de uma desconhecida, e seguiu seu caminho.

Ela guardou o celular no bolso, respirou fundo o ar fresco da Itália e sorriu para o sol. A vida, afinal, era exatamente assim: bonita, perfeita e fluida no seu próprio tempo.

Autora Laise Leite com colaboração do Gemini

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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

O RUIVO - PARTE 5

Acordei com a luz do sol refletindo na cortina, levantei-me e sentei no sofá. Fui tirando a roupa e pensando em me jogar na cama. Escovei os dentes, tomei um banho e esperei o café ficar pronto. Sentei na cozinha e liguei a TV nas notícias de sempre. Deu-me uma vontade desesperada de viajar. Pensei: "Estão próximas as minhas férias". Não tinha um lugar definido, só um desejo de ir. Naquele feriado, fiquei vendo filmes e planejando uma viagem aleatória e escondida.

Na manhã seguinte, fui para o trabalho. Meu turno encerrava por volta das 16:00 e foi ali que planejei um destino — e o destino planejou algo para mim. Na saída da agência, deparei-me com o Ryan e levei um susto; meu sorriso ficou oculto, escondi os papéis rápido. Ele me cumprimentou e logo veio uma mulher e o abraçou. Segui meu caminho e olhei para trás. Doeu, sim, mas nem fazia sentido doer. Peguei o trem de volta para casa, que estava até vazio. Chegando em casa, comecei a fazer as malas; foi tudo muito rápido, minha passagem estava programada para as 03:00 da madrugada.

Depois de trancar tudo, segui para o aeroporto e esperei um pouco até a decolagem. Mas quando falei de destino mais cedo, deparei-me com um conhecido de infância indo para casa, e estávamos sentados lado a lado. Conversamos tanto que a viagem ficou curta! O mais engraçado foi que íamos para o mesmo destino. A viagem solo se tornou uma viagem a dois; partilhamos tantos momentos, foram incríveis os 15 dias ao lado dele naquele lugar.

Retornamos para casa e, por desconcerto do destino, nossos voos eram em horários diferentes. Desta vez, senti que fui trapaceada. O avião estava lotado, mas uma passageira me pediu gentilmente para eu ceder meu lugar para que sentasse com o namorado dela. Ela estava na classe executiva e eu com passagem no meio do corredor... Parecia engraçado, mas aceitei. E foi quando olhei ao meu lado e vi meu acompanhante de viagem: o Ruivo.

Sentei fingindo naturalidade, falei com ele e fechei os olhos. Não consegui dormir, mas, ao abrir os olhos, vi que ele estava bem concentrado lendo, então fui ler também. Desci do avião e fui pegar minhas malas sorridente, rindo das mensagens do Luan.

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terça-feira, 13 de outubro de 2026

O RUIVO - PARTE 4

 

Naquela noite, as meninas me chamaram para jantar, pois a Michele havia retornado da lua de mel. Eu estava tão cansada, mas mesmo assim fui brindar com elas. Não era um encontro só de meninas, era uma reunião de amigos próximos. Naquela noite, senti-me uma estranha por não partilhar de contos antigos deles; não fiquei com inveja nem com raiva, só me senti fora da caixa, mas ria junto com todos.

Houve um momento daquela noite em que fui ao banheiro e lá demorei; acho que descobri um refúgio no sofá em frente ao banheiro. Minha fuga não ia ser notada, queria só um momento para respirar. Mas foi quando ele chegou e me viu lá, rindo com vídeos aleatórios. Levantei-me como se tivesse que dar satisfações, voltei para a mesa, sentei-me e retornei a partilhar de assuntos diversos.

Mas foi no mais tardar daquela noite que algo mudou. O cara de quem eu gostava apareceu para cumprimentar o ruivo. Meu coração quase saiu pela boca, mas me controlei. No fundo, ele sabia que eu tinha uma admiração por ele, mas ao mesmo tempo em que me ignorava, deixava explícito que não iria se fazer presente nos momentos em que eu esperava. Engoli seco aquela noite. Quando ele resolveu sentar à mesa, o clima mudou, mas não ia durar muito naquele ambiente.

As provocações começaram quando ele começou a passar o pé no meu embaixo da mesa. Os olhares me intimidavam; disfarcei até bem, mas não queria mais ficar ali fazendo parte de um jogo do Ryan. Levantei-me e pedi licença para fazer uma ligação. Fui ao banheiro, chamei um táxi, passei no balcão, paguei minha conta e saí pelos fundos do restaurante. Entrei no táxi e mandei uma mensagem para a Mi dizendo que surgiu um imprevisto. Pedi para o carro parar na praça em frente ao prédio em que eu morava e lá fiquei, me recordando de como sempre foi bom ser criança no balanço, pensando na vida como se o tempo fosse um guia.

Entrei no condomínio e, subindo as escadas, parecia que um peso tomava conta de mim. Comecei a chorar sem saber o motivo e entrei em casa sem querer sair no dia seguinte. O dia seguinte ia ser um feriado, então ia ficar no meu canto; não queria ver ninguém. Adormeci no chão, jogada, como se aquele fosse o meu melhor lugar.

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O RUIVO - PARTE - 3

 Os dias após a festa viraram rotina: eu sempre o encontrava em lugares aleatórios. Nem sei se ele percebia, mas eu achava comum — a cidade poderia ser grande, mas não era vazia. Mas foi em uma noite basicamente normal que mais uma vez nos esbarramos em uma festa de aniversário. Não era uma festa comum, era um momento importante para ele, embora eu pouco soubesse.

Eu estava na festa de 15 anos da sua irmã mais nova. Enquanto eu cumprimentava a Ceci, ele chegou e ficou me encarando com espanto, com aquele ar de "acho que te conheço". Fingi que não o conhecia e agi naturalmente. Entreguei o presente, dei um abraço na Ceci e fui para o meio do salão. Encontrei alguns conhecidos, mas queria mesmo ficar reservada em um canto; minha cabeça estava longe naqueles dias.

Sentei-me e fiquei mexendo no celular, mas logo guardei. O garçom veio me servir um suco e, enquanto tomava, o Rick chegou, me abraçou e sentou ali na mesa. Conversamos um pouco, mas logo depois ele saiu para falar com seus amigos. A festa foi um pouco distante da cidade, mas estava deslumbrante: a valsa entre os irmãos, o pai da aniversariante, a dança dos amigos, os parabéns cortando o bolo... Ficará para sempre no coração deles aquele momento.

Resolvi partir depois dos parabéns e foi quando liguei para o transporte vir me buscar. Enquanto ligava, ele passou de carro com uma garota no banco da frente. Meu carro chegou e segui para casa, pensando apenas nas preocupações do dia seguinte. Estava de cabeça cheia.

Assim que cheguei em casa, mandei uma mensagem me desculpando por não me despedir da Ceci, deitei sem tirar a roupa da festa e adormeci no sofá. Acordei no dia seguinte com o celular despertando e fui logo me arrumar para o evento da empresa: a maratona beneficente.

Assim que cheguei ao local, o Rick estava lá nos esperando. Preparamos tudo e esperamos os participantes. Entre eles, estava você. Cadastrei e entreguei a pulseira e o kit, e mais uma vez as meninas ficaram loucas de amor por você. A corrida foi um sucesso, você ficou em terceiro lugar e, depois de desfrutar de tudo, fui para casa.

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sábado, 10 de outubro de 2026

O RUIVO - PARTE 2

 No dia seguinte, acordei com a cabeça pesada e o corpo moído de tanto dançar, mas cada segundo valeu a pena. Ainda deitada na cama, revia as fotos daquela noite maravilhosa e os vídeos; ria sem parar das brincadeiras. Levantei-me, ainda sem querer, e fui buscar ânimo tomando um banho. Enquanto a água caía sobre meus cabelos, ouvi o celular tocar. Ao sair do banho, fui verificar a chamada: era o Rick. Retornei a ligação e, em chamada de vídeo, ele me convidou para um churrasco na casa de seus pais. Eu quase rejeitei, mas resolvi aceitar. Ele disse, então, que passava lá em meia hora.

Fui me arrumar rapidamente. Na minha maior dificuldade em escolher uma roupa, achei algo leve e confortável, peguei uma bolsa, fiz uma maquiagem leve e tomei um café com torrada para não sair de estômago vazio. Lá fora, o carro buzinava. Escovei os dentes, passei um perfume e desci as escadas. Dentro do carro já estavam as meninas com o Rick. Terminei de me arrumar no carro e não demorou muito para chegarmos à casa de seus pais.

Entramos e fomos apresentados a todos da família. Ele logo nos levou a uma mesa no jardim, muito aconchegante, onde nos sentamos. Fiquei tão admirada com as paisagens da mansão que queria ver aquela área verde em cada detalhe; registrei com o olhar cada toque delicado do verde das plantas. Aquele local trazia tanta paz. A comida começou a ser servida logo pela manhã como aperitivo. Tinha piscina para aproveitarmos, mas eu não quis; as meninas aproveitaram bem seus nados livres enquanto eu fiquei lá de longe, observando aqueles momentos de distração. Quem nos via aproveitando não sabia como era nossa rotina na indústria.

O mordomo da casa veio nos chamar para o almoço e então esperei as meninas se aprontarem. Enquanto andávamos até o jardim, eu respirava o ar livre e curtia a sombra das árvores; por dentro, ninguém sabia o quanto aquilo me trazia uma riqueza particular. Chegamos até a mesa e nos sentamos entre os familiares, partilhando momentos especiais da família do Rick. Foi um privilégio estar no meio de pessoas tão queridas, as quais nos receberam muito bem.

Mas, entre os amigos em comum do Rick, um surgiu para cumprimentá-lo: ele havia acabado de chegar. Com educação, cumprimentou a todos. Achei muito fofo o seu cabelo ruivo, mas, em particular, ele era um rapaz muito bonito. Os olhos das meninas brilharam; eu o achei um rapaz interessante, ele realmente tinha uma presença marcante.

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O RUIVO - PARTE 1

 Não foi daqueles encontros inesperados; foi tão comum. No primeiro momento, a presença não foi notada, nenhum impacto aconteceu, os olhares não se cruzaram nem química surgiu. Fomos passageiros comuns de um caminho singular.

Estávamos em lugares tão comuns, nada programado nem percebido por ambos. Mas, olhando para trás, rimos de um jogo natural da vida: como estávamos tão focados em nossos mundos que nem olhávamos à nossa volta? Quantas vezes nos esbarramos em lugares que frequentávamos em comum? Mas foi em um dia aleatório, em um convite bem desprovido de intenções, que nos conhecemos.

Em uma festa de formatura, comemorávamos com muita celebração a conquista tão sonhada de alguém que almejou aquele projeto. Nossa querida amiga Michele vibrava sorridente seu tão sonhado diploma de Medicina, e todos nós que conhecíamos seus dias de dedicação víamos que o processo foi feito não só de sorrisos, mas de muitas lutas. Entre gritos e aplausos, o mundo paralisou de felicidade.

Depois da colação, fomos à festa. Eu estava acompanhada de amigos próximos e dividimos o mesmo carro. Posso declarar: era um lugar extremamente bem preparado para receber a estrela da noite. Entre seus familiares, amigos de infância e colegas de curso, havia muitas pessoas à minha volta, sorrisos e conversas soltas. Cumprimentamos alguns conhecidos e ficamos ali na mesa, abordando assuntos e desfrutando daquela festa.

Não nos percebemos entre aquela multidão — e como íamos nos encontrar entre tantas pessoas naquela noite? A festa foi maravilhosa: teve brincadeiras, dança, um buffet delicioso e muitos drinks. Mas foi por volta da 01:00 que decidimos nos despedir da Michele e de seus pais. Enquanto estávamos saindo do estacionamento, avistamos pessoas chegando.

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