Às vezes o silêncio é uma resposta que não queríamos ter. É mais invasivo do que um contato carnal; buscamos uma validação que tão pouco chegará, mas fica ali aquela esperança pulsando incansavelmente, abrindo portas e não encontrando uma solução.
Hoje me dei conta de que eu sou esse vazio no seu mundo e a minha existência se torna comum entre outros. Sou uma estranha que passa, sou feita de passagens aleatórias sobre ruas por onde andei. Ando buscando me encontrar e foi onde me deparei com você, e meu mundo entrou em perfeito caos. Chegou de forma tão silenciosa e, quando me dei conta, já era pertencente à sua conexão. Mas acabei amadurecendo a ideia redondamente absurda de que eras meu (ou de que você era meu) e de que em meu universo você se fazia presente, mas, em meio ao despertar do meu sonho realista e fantasioso, me deparei confrontando-me com o fato de que tudo não passava de ambição e de puro egoísmo, e que a conexão era mais saudade do que tinha de sobra e do que não tinha.
Acordei com saudade, dormi com vontade de abraçar. Não era você, mas a criança que um dia sonhou alta e cresceu desejando o mundo o qual não lhe pertencia. Devo me desculpar pela minha insistência, mas foi a entrega de um coração que se abriu para encontrar abrigo seguro. As cartas não lidas não podem ser canceladas; ficaram como resquício da lembrança da esperança que plantei. Reguei um jardim inteiro de flores diversas, e lá continuaram brotando com toda formosura nas estações que há em mim.
Amar é libertar, e hoje a minha esperança vai juntamente com o meu cansaço. Não é um adeus, é um até logo, como aquele que observa distante em silêncio e vê a pessoa vibrar seus anseios.
Te amarei do lado de cá!
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