quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Estação de Trem 1998 - Capítulo VI

 

O Desmoronar do Castelo

— Olhando para todo o meu passado, tive que refletir bastante para acreditar, e cheguei à conclusão de que vivi uma mentira. Vocês roubaram de mim tudo o que sempre desejei ter; roubaram a chance de viver, ensinar, amar, cuidar, proteger e ouvir. Deveria estar com raiva, mas não consigo. Eu partilhei um momento ao lado dele hoje, mas quando desci daquele carro e olhei nos olhos daquele rapaz e em seus traços, eu me vi jovem. Confesso que levei um susto, mas achei que fosse coisa da minha imaginação, até que vi uma foto sua no carro. Foi quando tudo desmoronou, e a vida trouxe para mim o seu castelo de mentiras.

— E agora? O que você pretende dizer? Ou fazer? — ele continuou. — Quem foi o errado nessa história? Foi o Henrique ou foi você? Na verdade, os dois. Mas de quem foi a ideia de me roubar essa chance? Fala!

— Eu posso te explicar... — foi a única coisa que consegui dizer.

— Estou ouvindo.

— A culpa foi realmente minha, Julian!

— Será? Não importa mais quem errou. Eu só quero que ele saiba quem eu sou.

— Como?

— Como você acha? Se vocês não contarem, eu mesmo direi.

Saí daquela praia pensando em como iria dizer ao Henrique que estávamos sem escolha. Dirigi até em casa e, quando cheguei, o Henrique estava me esperando na sala. Fomos para o escritório e lá eu despejei tudo o que estava preso. O Henrique estava inconformado; mesmo não querendo admitir, ele tinha medo de perder o amor do Bryan. Mal conseguimos dormir naquela noite.

Na tarde do dia vinte e um de outubro, marcamos de sair com o Bryan para jantar. Dirigimos até a praia; havia um restaurante bem próximo. Enquanto conversávamos e bebíamos, o Julian chegou. Foi constrangedora aquela situação. Pedi a conta e me levantei. Saímos do restaurante e caminhamos até a areia. Frente ao mar, sentimos aquela brisa chegar. O Bryan adorava os eventos em família, mas aquilo foi mais que um jantar ou um encontro familiar. Olhei em seus olhos e disse:

— Filho, precisamos conversar.

E ali, sentados naquela pedra, eu e o Henrique contamos toda a verdade. O Bryan chorava, sem entender nada, nem os motivos injustificáveis. O Julian foi se aproximando, e foi quando eu os apresentei como pai e filho.

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