Há razões para acreditar que seja impossível te amar, mas, de repente, aconteceu uma sintonia sigilosa; pequenos ruídos de uma estação foram calibrando nossa vibração.
Eu vaguei entre destinos abstratos, mas encontrei em uma estação um banco e repousei, sem espera alguma. Mas você chegou, sentou-se em silêncio e observou o ritmo da vida acontecer.
A chuva chegou intensa, como a tempestade que estava dentro de mim, mas, assim que o sol surgiu novamente, era apenas o sol e seu calor imensurável. Uma pétala de flor passou por mim e tocou meu rosto — senti sua pureza leve. E, quando me deparei, as folhas secas do outono plátano cercavam meus pés.
Sobre aquela estação sobrevivi, à espera do que nunca poderia chegar. Me despedia a cada parada e via, pela janela, desaparecer a esperança.
Ao meu lado, um silêncio ensurdecedor virava conforto; eu mal percebia me aquecer, sem dizer e sem tocar. Virou presença constante e insubstituível.
Mas a última chamada naquele dia mudou todo o nosso contexto. A ventania na estação não foi um acaso, foi destino. E foi naquele vendaval que nossos olhares se encontraram.
Mas a última chamada já havia sido dita e o destino, selado. Você embarcou naquele trem e eu vi, mais uma vez, a vida passar sobre mim.
Onde posso te encontrar? Corri pela estação como se fosse conseguir alcançar a parada do trem; me cansei, as forças se esgotaram e caí ao chão, com o coração dilacerado, em busca do oculto.
Voltei à estação sem esperança e lá fiquei à espera do reencontro, mas você nunca mais surgiu; contudo, sua presença sempre esteve ali.
Mas, ao despertar na manhã de domingo ao som do alarme, deparei-me com uma mensagem na tela do computador: "O caminho de volta para ela é a única rota possível."
Eu sempre estarei aqui!
Toquei a tela como se tocasse seu rosto, como se encontrasse suas mãos sobre todo o universo.
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