Enquanto ela estava deitada na cama, a campainha do hotel tocou. Era o serviço de quarto. Havia chegado um presente.
O remetente era Rael.
Ela abriu a caixa e lá estava: a garrafa de vinho envelhecida que ela tinha lhe presenteado dez anos atrás. Ele rejeitou seu presente, ofertando-o como recompensa ou como um último adeus?
Ela pensou em ligar, mas resolveu apenas deixar para lá. Pegou a chave do carro alugado e, com a garrafa de vinho, seguiu uma rota sem destino.
De repente, ela se deparou com o mar.
Andou em meio ao paredão de pedras, bebendo o vinho diretamente da garrafa. Desceu até a areia. Chorava e ria ao mesmo tempo, virando os goles para esquecer de vez sua dor. Andava rumo à água, sentindo os pés serem molhados pelas ondas fortes.
E foi quando, de longe, ela avistou uma lembrança antiga: a imagem dos pais lhe chamando para entrar na água. Ela foi.
Largou o vinho no chão e se entregou. As ondas fortes a levaram.
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