A sala de estar, a opulência fria da família de Lear.
Sua mãe caiu sentada no sofá, passando mal. Seu pai jogou o exame no chão, afirmando que era mentira.
Mas Antonella não hesitou. Apontando para o papel, ela perguntou: "É mentira, Doutor Antônio?"
— Por que eu nunca o deixei me tocar novamente? Por que ele me perdeu antes de me conquistar? Sim, ele me ameaçava, assim como eu o ameaçava. Mas ele fez pior: prendeu meu irmão. Eu guardei esse segredo por dez anos. Mas agora, não tem mais sentido.
— Eu consegui tirar meu irmão das mãos do Lear. E agora vocês sabem: eu tive um filho do Lear. Ele o matou.
— A Senhora me perguntou por que todo dia Cinco de Maio eu faço reverência no meu quarto? Porque essa foi a data que eu enterrei meu bebê.
— A senhora passou a vida toda me humilhando nesta casa, chamando-me de usurpadora, de qualquer uma. E olhe lá: eu nem aceitei o dinheiro do Lear. Eu casei sem ter direito a nada! Afinal, eu nem queria casar, vocês me obrigaram. E no final, ele me ameaçou, fazendo do meu irmão um refém.
— Mas agora acabou. Meu filho já morreu, eu perdi dez anos nesta casa, meu irmão cresceu, eu o resgatei. O Lear vai assinar esse divórcio. Eu não suporto mais.
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