Mas na porta da biblioteca alguém presenciava aquela cena. Ali, ele ouviu tudo o que ela não contou naquela noite de vinho e whisky. Ela havia pulado etapas, escondido dores, e não mencionou ameaças. Tinha vergonha de contar que vivia sob chantagem. Ela não tinha ponto fraco, e sua fraqueza não podia ficar mais exposta. Antonella sabia que pedir ajuda a Rael seria o mesmo que chamá-lo para seu abismo. Ele amava o que havia construído; ela ia bagunçar sua vida desestruturada. Sim o homem por traz da porta da biblioteca era ele, Rael.
Depois de ouvir tudo, Antonella se deparou com ele. Sentiu uma vergonha ainda maior. Olhou para Rael e, sem dizer uma palavra, caminhou até a porta. Saiu sem olhar para trás.
E, vindo de longe, vinha Lear correndo.
Ele a segurou pelo braço, possessivo, e sibilou: "O que você fez?"
Ela não sentiu medo. Gritou, com a voz embargada pela histeria e pela libertação: "Eu contei tudo! EU TE ODEIO!"
Ele fazia de propósito, para desestruturá-la. Lear soltou o braço dela e correu para dentro, para a casa dos pais.
O advogado levantou Antonella, que cambaleava. Sua razão se perdia. Ele a levava para longe da casa onde sua mãe chorava com os papéis na mão.
Depois daquele dia, a vida de Antonella foi conturbada: ameaças, confrontos e perseguições. Lear não lhe daria o divórcio.
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