segunda-feira, 24 de novembro de 2025

O Jardim, à sombra de uma árvore - 3

 Ele parou à beira da mesa, sem se sentar, impecável em seu terno escuro. Seus olhos tinham a luz da lua daquela outra noite.

Eu olhei profundamente nos seus olhos. Meu corpo estremeceu. A voz parecia nem querer sair. A vergonha me tomava, embora eu já não soubesse por quê, se não havia mais o que esconder. Quando eu ensaiei a resposta, fomos interrompidos.

Sua esposa chegou correndo, pegou em seu braço, como se estivesse desesperada por sua presença perto dela. Ele saiu segurando a mão da amada.

Eu fiquei ali, esperando, na minha plenitude, o fim da festa ou a ligação do meu marido para ir para o carro.

Na verdade, eu já estava fadada com tudo: o casamento de dez anos se arrastava, e meus sogros, que não me suportavam, sempre me humilhavam. O silêncio do meu marido era a concordância dos julgamentos. Eu havia decidido: seria a última festa, a última noite naquela casa.

E, parecia que a vida me trazia seu copo de whisky como luz para seguir qualquer caminho. 

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