segunda-feira, 24 de novembro de 2025

A Dança da Esquiva - 2

Em mim surgiu um questionamento? o que aconteceu durante esses 10 anos imagino que você deve estar feliz? mas me pergunto? Como realmente deva estar, será que mudou muito? Já eu trancada nesta casa vivo o que escolhi, não tive outra alternativa. O homem que me fazia se sentir segura não me amava, nutria sentimentos por outra mulher mais não conseguia se desprender de mim, eu que também nãpossuía afeição por ele, convivia em meio as mentiras ambos vivíamos por aparência, um casamento inteiramente desconfortável. Me peguei alimentando esse sentimento que me consumia alma, a inveja. Por outro lado da história você tinha um castelo construido e um amor solido e como todo romance buscou a liberdade e encontrou solidão, pois sem ela você era somente um café amargo, ela era o doce da sua alma. E como toda crise vem a tregua a sua chegou a minha nunca existiu.  

 Ele se despede com um aceno, indo em direção ao seu próximo contato de negócios. Eu, desolada, sinto o vazio do meu papel. Não é por ignorância dele, é o costume. Ele não demonstra que está acompanhado, e eu me sinto nua e deslocada. É a minha prisão.

É neste momento de vulnerabilidade total, sozinha em meio a tanto brilho, que meus olhos o encontram. Ele está a poucos metros, conversando com um grupo, impecável em um terno escuro. O homem responsável. Meu estômago se revira. Vergonha, aquela vergonha de quem expôs a alma sob o efeito do vinho.

Meu primeiro instinto, como a covarde que sou, é virar e esquivar. Evitar o confronto com a única pessoa que conhece minha verdade. Mas era tarde. Ele encerrou a conversa, seus olhos fixos nos meus. Naquele ambiente cheio de luz, senti o peso da sua presença como se estivéssemos sozinhos novamente. Preciso do refúgio.

Eu comecei a me mover, fingindo procurar o banheiro ou a saída, mas ele me alcançou no corredor estreito, com a mão gentilmente pousada no meu braço.

— Mas ao me virar, não era ele, era apenas alguém daquela festa tentando passar.

Encontrei uma mesa de ferro no jardim, à sombra de uma árvore. Sentei-me ali, sentindo o ar frio e o cheiro da terra.

Lá em cima, no salão, ele buscava a sacada, ansiando por seus próprios minutos de liberdade de uma presença possessiva. Ao não me encontrar, seus olhos vasculharam a paisagem.  

— Olhei para cima e vi você. Seus olhos estavam nos meus. Ele me viu de longe, uma figura solitária no jardim iluminado por algumas luminárias fracas. Desceu ao meu encontro, a passos lentos, mas firmes. Ele estava ali por sua própria necessidade de fuga, e me viu como o portal para o passado. Você veio em minha direção, sorrindo o sorriso ensaiado de dez anos, mas seus olhos me disseram o oposto.   

Ele parou à beira da mesa, sem se sentar, impecável em seu terno escuro. Seus olhos tinham a luz da lua daquela outra noite.

— Então ele disse: Você parece sóbria. 

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