Em mim surgiu um questionamento? o que aconteceu durante esses 10 anos imagino que você deve estar feliz? mas me pergunto? Como realmente deva estar, será que mudou muito? Já eu trancada nesta casa vivo o que escolhi, não tive outra alternativa. O homem que me fazia se sentir segura não me amava, nutria sentimentos por outra mulher mais não conseguia se desprender de mim, e eu que também não possuía afeição por ele, convivia em meio as mentiras ambos vivíamos por aparência, um casamento inteiramente desconfortável. Me peguei alimentando esse sentimento que me consumia alma, a inveja. Por outro lado da história você tinha um castelo construido e um amor solido e como todo romance buscou a liberdade e encontrou solidão, pois sem ela você era somente um café amargo, ela era o doce da sua alma. E como toda crise vem a tregua a sua chegou a minha nunca existiu.
Ele se despede com um aceno, indo em direção ao seu próximo contato de negócios. Eu, desolada, sinto o vazio do meu papel. Não é por ignorância dele, é o costume. Ele não demonstra que está acompanhado, e eu me sinto nua e deslocada. É a minha prisão.
É neste momento de vulnerabilidade total, sozinha em meio a tanto brilho, que meus olhos o encontram. Ele está a poucos metros, conversando com um grupo, impecável em um terno escuro. O homem responsável. Meu estômago se revira. Vergonha, aquela vergonha de quem expôs a alma sob o efeito do vinho.
Meu primeiro instinto, como a covarde que sou, é virar e esquivar. Evitar o confronto com a única pessoa que conhece minha verdade. Mas era tarde. Ele encerrou a conversa, seus olhos fixos nos meus. Naquele ambiente cheio de luz, senti o peso da sua presença como se estivéssemos sozinhos novamente. Preciso do refúgio.
Eu comecei a me mover, fingindo procurar o banheiro ou a saída, mas ele me alcançou no corredor estreito, com a mão gentilmente pousada no meu braço.
— Mas ao me virar, não era ele, era apenas alguém daquela festa tentando passar.
Encontrei uma mesa de ferro no jardim, à sombra de uma árvore. Sentei-me ali, sentindo o ar frio e o cheiro da terra.
Lá em cima, no salão, ele buscava a sacada, ansiando por seus próprios minutos de liberdade de uma presença possessiva. Ao não me encontrar, seus olhos vasculharam a paisagem.
— Olhei para cima e vi você. Seus olhos estavam nos meus. Ele me viu de longe, uma figura solitária no jardim iluminado por algumas luminárias fracas. Desceu ao meu encontro, a passos lentos, mas firmes. Ele estava ali por sua própria necessidade de fuga, e me viu como o portal para o passado. Você veio em minha direção, sorrindo o sorriso ensaiado de dez anos, mas seus olhos me disseram o oposto.
Ele parou à beira da mesa, sem se sentar, impecável em seu terno escuro. Seus olhos tinham a luz da lua daquela outra noite.
— Então ele disse: Você parece sóbria.
"Conteúdo autoral baseado em uma linha de pensamento particular. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização prévia por escrito de Laise Leite."
"Sinta-se à vontade para compartilhar suas opiniões nos comentários. Este espaço é uma expressão da minha subjetividade e não tem a pretensão de interferir na sua verdade individual ou crenças pessoais."

Nenhum comentário:
Postar um comentário