A manhã seguinte ao pedido de divórcio, a casa fria.
Voltei para o meu quarto e me tranquei. Criei uma estratégia de fuga como se alguém ouvisse tudo o que eu sentia; na verdade, eu sabia que alguém ouvia.
Assim que o dia amanheceu, desci arrumada para o café. Minha sogra logo perguntou sobre o escândalo da noite anterior. Eu me desculpei, fria, e pedi licença para me retirar da mesa. Fui tomar café na cozinha e ali pude entregar um bilhete à cozinheira. Ela leu e concordou em me ajudar.
Lear logo saiu para trabalhar. Minha sogra foi ao salão; meu sogro, jogar golfe; minha cunhada, para aulas particulares. A casa esvaziou, mas eu não podia me iludir: Lear havia ordenado aos seguranças que eu estava proibida de sair. Eu suspeitava. Mas estava preparada.
A cozinheira levou duas peças de roupa que eu havia separado. Mesmo proibida, eu tinha uma saída: o evento de caridade para o qual eu iria com a minha sogra naquele dia, a última vez que nos veríamos.
No caminho, minha sogra me xingou, me deu tapas. Mas na chegada, antes das câmeras, ela sorriu. Eu participei de tudo, mas chorei — não de tristeza, mas porque era a última vez.
Consegui trocar de roupa e sair daquele evento sem que ela ou os seguranças notassem. Peguei aquele táxi. Passei dias escondida em um lugar que até eu tinha medo, mas era necessário até que as buscas cessassem. Ela (minha sogra) não cansava de me perseguir.
Mas eu consegui. Cheguei ao interior, na casa de meus tios distantes.
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