sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Despretensiosamente

 

Naquela tarde congelante do dia 27, a vida resolveu agir silenciosamente. Andando pelas ruas, encontrei aquele restaurante; sentei-me ao lado da janela e fiquei admirando o tempo passar enquanto aguardava meu pedido. A porta se abriu, e tudo mudou. Você passou ao meu lado e sentou-se naquela última mesa, perto da janela. Em vez de escolher outro lugar, decidiu ficar ali, frente a mim.

Foi rápida a primeira troca de olhar, e para mim, era apenas um vislumbre vago. Mas ao discorrer dos minutos, você se esqueceu da sua posição e fixou sobre mim toda sua volúpia. Fui tomada por um desconhecido olhar, despida pela sua cobiça. Eu desviava o olhar; quando me voltava, você estava lá, me olhando fixamente. Você esperava apenas que o meu olhar encontrasse o seu. Você não disfarçava. Não queria evitar.

Enquanto ela falava, você respondia; rapidamente, teu olhar retornava ao meu. Juro que não queria me perder nos desejos que você lançou sobre mim, mas, por um instante, me perdi e permiti, em minha fragilidade, você me despir. Fui atraída por um mal sentimento uma inveja daquela rotina tranquila que ele parecia ignorar. Aquelas horas eram de pura atração, e foi teu desejo que me impulsionou a me entregar ao vago.

Mas escolhi ignorar meus instintos impulsivos e desviar do que me prendia a ti, contudo, eu sentia tua vibração até mim, magneticamente. Entre sorrisos soltos em uma conversa com minha amiga, o tempo passava. Os pratos na mesa iam se esvaziando, e você ali, trocando olhares comigo. Por um minuto, eu quis. No outro, eu disse não. Porque, mesmo que os desejos fossem intensos, a razão era mais sensata: "construa seu castelo e não destrua o que já foi erguido". Foi um acaso do destino, dois desconhecidos e um desejo inconsequente. A porta que se abriu não trouxe um remetente, mas consigo trazia um peso. Às vezes, só devemos fechar a porta sem agir.

-Se tivéssemos marcado não teria sido da forma como aconteceu! 

"Não haveria um reencontro. Ambos sabiam que eram apenas histórias. Ele não largaria o que havia construído, e ela não destruiria o castelo por um instante. Ficou apenas um desejo enterrado ali, naquela mesa, naquele dia 27 congelante. A vida apenas a havia testado, oferecendo uma chama para que ela sentisse, mais uma vez, que ainda despertava aquele impulso. Ele não sabia, mas seu olhar a ajudou a seguir. Ela levaria a lembrança, uma fantasia que se apagaria nos próximos dias, mas que serviu para reafirmar: mesmo ele tendo o seu estilo de homem ideal, não era aquele o caminho que ela almejava. Ambos eram apenas acaso, e nada mais."


"Conteúdo autoral baseado em uma linha de pensamento particular. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização prévia por escrito de Laise Leite."

"Sinta-se à vontade para compartilhar suas opiniões nos comentários. Este espaço é uma expressão da minha subjetividade e não tem a pretensão de interferir na sua verdade individual ou crenças pessoais."

Nenhum comentário:

Postar um comentário