domingo, 30 de novembro de 2025

A Estratégia da Justiça - 7

          

A casa dos tios, a tranquilidade temporária.
 
A casa dos tios não era um abrigo seguro, mas apenas um refúgio passageiro.
 
Ali, ela conseguiu que seu irmão ficasse e assumisse uma nova identidade.
 
Enquanto isso, junto ao seu advogado, Antonella construía os argumentos para se desfiliar de Lear e de sua família. A estratégia era clara: ela precisava voltar.

Não seria fácil, mas ela teria que enfrentar Lear e trazer à tona tudo o que ele havia feito, uma verdade que seus pais não sabiam.

Assim que se sentiu mais confortável e a salvo de perseguições imediatas, Antonella retornou à cidade. Deixou dinheiro para que o irmão se mantivesse, com a promessa de que voltaria.

Ao pisar na cidade, foi direto ao escritório de advogados que a defenderia. A audiência de divórcio foi marcada. Lear, talvez, não fosse. E foi como esperado: ele não compareceu.

Mas Antonella não tinha mais medo. Sua missão não era o divórcio, mas a verdade. Ela foi até a casa de Lear e entregou aos seus pais o exame que provava: ela havia perdido o neto deles, filho de Lear, há dez anos, por causa dele.

"Conteúdo autoral baseado em uma linha de pensamento particular. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização prévia por escrito de Laise Leite."

"Sinta-se à vontade para compartilhar suas opiniões nos comentários. Este espaço é uma expressão da minha subjetividade e não tem a pretensão de interferir na sua verdade individual ou crenças pessoais."

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

A Fuga -5

    A manhã seguinte ao pedido de divórcio, a casa fria.

Voltei para o meu quarto e me tranquei. Criei uma estratégia de fuga como se alguém ouvisse tudo o que eu sentia; na verdade, eu sabia que alguém ouvia.

Assim que o dia amanheceu, desci arrumada para o café. Minha sogra logo perguntou sobre o escândalo da noite anterior. Eu me desculpei, fria, e pedi licença para me retirar da mesa. Fui tomar café na cozinha e ali pude entregar um bilhete à cozinheira. Ela leu e concordou em me ajudar.

 Lear logo saiu para trabalhar. Minha sogra foi ao salão; meu sogro, jogar golfe; minha cunhada, para aulas particulares. A casa esvaziou, mas eu não podia me iludir: Lear havia ordenado aos seguranças que eu estava proibida de sair. Eu suspeitava. Mas estava preparada.

A cozinheira levou duas peças de roupa que eu havia separado. Mesmo proibida, eu tinha uma saída: o evento de caridade para o qual eu iria com a minha sogra naquele dia, a última vez que nos veríamos.

No caminho, minha sogra me xingou, me deu tapas. Mas na chegada, antes das câmeras, ela sorriu. Eu participei de tudo, mas chorei — não de tristeza, mas porque era a última vez.

Consegui trocar de roupa e sair daquele evento sem que ela ou os seguranças notassem. Peguei aquele táxi. Passei dias escondida em um lugar que até eu tinha medo, mas era necessário até que as buscas cessassem. Ela (minha sogra) não cansava de me perseguir.

Mas eu consegui. Cheguei ao interior, na casa de meus tios distantes.

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O Preço da Prisão - 6

Durante dez anos de convivência, ele nunca soube amar.

Se você me perguntasse por que Antonella esteve com Lear todo esse tempo, a resposta é a mais covarde: medo da solidão, medo de enfrentar a si mesma.

Eu o conheci porque trabalhava no bar de seu pai, no centro da cidade. Comecei a trabalhar à noite, pois precisava ajudar meu irmão mais novo e sobreviver. Não era fácil; eu ouvia tantos casos sobre as meninas que viviam lá. Eu nem me importava de ser humilhada, só não queria me machucar.

Mas foi em uma dessas noites que aconteceu. Lear, embriagado e sob o efeito de entorpecentes, abusou de mim. Engravidei dele.

Consegui esconder a gravidez por meses, até que eles descobriram assim que pedi demissão. Mas, sabe, eu acabei perdendo o bebê por causa dele. Em uma discussão, ele me empurrou e eu caí. Achei que nada tinha aconteceria, mas ao chegar em casa, a hemorragia começou. Aos cinco meses, perdi o filho de Lear. Ele sempre soube que isso aconteceu por sua causa, mas nunca me pediu desculpas.

Eu fui obrigada a casar com ele. Alguém ameaçava divulgar na mídia sobre nós dois juntos, uma foto insignificante de um beijo, mas a chantagem era real. Eles tiraram meu irmão da cidade, e eu vivi todo esse tempo pagando de idiota para resgatar meu irmão. 

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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

O Grito Final e a Libertação - 4

-O caminho de volta, a casa luxuosa e fria!

O telefone tocou, e ela foi para o carro. O caminho de volta foi silencioso. A chegada em casa culminou na inevitável separação: quartos separados, cada um para o seu precipício.
 
Mas naquela noite, ela não podia mais adiar. Na sala, antes que ele subisse as escadas, ela chamou seu nome: "Lear?"
 
Ele parou no primeiro degrau, mas continuou subindo.
Ela chamou mais uma vez, a voz agora carregada de desespero: "Lear?"
Ele seguiu caminhando.
Ela, então, gritou alto, com a força de dez anos de silêncio: "LEAR!"
Ele se virou e desceu os degraus lentamente. Parecia saber o que estava por vir.
Ela não escondeu mais seu desejo. "Vamos nos separar?"
Ele não lhe respondeu nada. Simplesmente a ignorou, virou-se e subiu as escadas. Ele não ia se desprender dela assim.

Ela sentou-se no sofá, as mãos cobrindo o rosto em um choro final. Levantou-se, foi até o seu quarto e fez uma mala rápida com o que precisava, deixando para trás o luxo da casa a que nunca pertenceu. Sobre a mesa de centro, deixou um acordo de divórcio já assinado: ela abria mão de tudo só para ser ela.

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segunda-feira, 24 de novembro de 2025

O Jardim, à sombra de uma árvore - 3

 Ele parou à beira da mesa, sem se sentar, impecável em seu terno escuro. Seus olhos tinham a luz da lua daquela outra noite.

Eu olhei profundamente nos seus olhos. Meu corpo estremeceu. A voz parecia nem querer sair. A vergonha me tomava, embora eu já não soubesse por quê, se não havia mais o que esconder. Quando eu ensaiei a resposta, fomos interrompidos.

Sua esposa chegou correndo, pegou em seu braço, como se estivesse desesperada por sua presença perto dela. Ele saiu segurando a mão da amada.

Eu fiquei ali, esperando, na minha plenitude, o fim da festa ou a ligação do meu marido para ir para o carro.

Na verdade, eu já estava fadada com tudo: o casamento de dez anos se arrastava, e meus sogros, que não me suportavam, sempre me humilhavam. O silêncio do meu marido era a concordância dos julgamentos. Eu havia decidido: seria a última festa, a última noite naquela casa.

E, parecia que a vida me trazia seu copo de whisky como luz para seguir qualquer caminho. 

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A Dança da Esquiva - 2

Em mim surgiu um questionamento? o que aconteceu durante esses 10 anos imagino que você deve estar feliz? mas me pergunto? Como realmente deva estar, será que mudou muito? Já eu trancada nesta casa vivo o que escolhi, não tive outra alternativa. O homem que me fazia se sentir segura não me amava, nutria sentimentos por outra mulher mais não conseguia se desprender de mim, eu que também nãpossuía afeição por ele, convivia em meio as mentiras ambos vivíamos por aparência, um casamento inteiramente desconfortável. Me peguei alimentando esse sentimento que me consumia alma, a inveja. Por outro lado da história você tinha um castelo construido e um amor solido e como todo romance buscou a liberdade e encontrou solidão, pois sem ela você era somente um café amargo, ela era o doce da sua alma. E como toda crise vem a tregua a sua chegou a minha nunca existiu.  

 Ele se despede com um aceno, indo em direção ao seu próximo contato de negócios. Eu, desolada, sinto o vazio do meu papel. Não é por ignorância dele, é o costume. Ele não demonstra que está acompanhado, e eu me sinto nua e deslocada. É a minha prisão.

É neste momento de vulnerabilidade total, sozinha em meio a tanto brilho, que meus olhos o encontram. Ele está a poucos metros, conversando com um grupo, impecável em um terno escuro. O homem responsável. Meu estômago se revira. Vergonha, aquela vergonha de quem expôs a alma sob o efeito do vinho.

Meu primeiro instinto, como a covarde que sou, é virar e esquivar. Evitar o confronto com a única pessoa que conhece minha verdade. Mas era tarde. Ele encerrou a conversa, seus olhos fixos nos meus. Naquele ambiente cheio de luz, senti o peso da sua presença como se estivéssemos sozinhos novamente. Preciso do refúgio.

Eu comecei a me mover, fingindo procurar o banheiro ou a saída, mas ele me alcançou no corredor estreito, com a mão gentilmente pousada no meu braço.

— Mas ao me virar, não era ele, era apenas alguém daquela festa tentando passar.

Encontrei uma mesa de ferro no jardim, à sombra de uma árvore. Sentei-me ali, sentindo o ar frio e o cheiro da terra.

Lá em cima, no salão, ele buscava a sacada, ansiando por seus próprios minutos de liberdade de uma presença possessiva. Ao não me encontrar, seus olhos vasculharam a paisagem.  

— Olhei para cima e vi você. Seus olhos estavam nos meus. Ele me viu de longe, uma figura solitária no jardim iluminado por algumas luminárias fracas. Desceu ao meu encontro, a passos lentos, mas firmes. Ele estava ali por sua própria necessidade de fuga, e me viu como o portal para o passado. Você veio em minha direção, sorrindo o sorriso ensaiado de dez anos, mas seus olhos me disseram o oposto.   

Ele parou à beira da mesa, sem se sentar, impecável em seu terno escuro. Seus olhos tinham a luz da lua daquela outra noite.

— Então ele disse: Você parece sóbria. 

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domingo, 23 de novembro de 2025

Tempo Paralelo - Entre o Vinho e Whisky -1

 -Eu, você uma garrafa de vinho uma garrafa de Whisky. E nada mais.

Ali estávamos, frente a frente, sem intenções. Apenas um momento livre, preenchido por conversas aleatórias, risos soltos e sentimentos vagos. Um tempo paralelo, longe do nosso mundo, descobrindo segredos e deixando a intimidade aflorar. A cada copo, eu me perdia na minha própria covardia e o tempo se arrastava lentamente. 

Você se perdia olhando para o teto da sala, um olhar distante. De repente, sorria, em gargalhadas sem sentido, como se recordasse algo gostoso de sentir. Eu, por outro lado, chorava  de saudade do que perdi quando criança. Éramos dois adultos tentando apenas se entregar ao desejo de se apoiar, mas sem dizer, sem abraçar. 

O dia era longo, assim como aquelas garrafas. Brindamos sei lá quantas vezes. O charuto que você pegou na escrivaninha cobria a sala de fumaça. Você correu para abrir a janela, mas por lá ficou, sentado com os pés jogados para fora. Parecia que eu te via pela primeira vez, como o real. Você estava, por horas, exercendo seu livre arbítrio; já eu estava na minha própria prisão. 

Fui encher minha taça de vinho e, quando me deparei olhando para minha própria mão, um anel dourado me remetia ao presente que eu queria esquecer. Me afoguei naquele copo, caí no sofá e comecei a cantarolar canções que me vieram à cabeça. Você na janela, calado, só sentindo o vento soprar. 

Estávamos ali destinados. Só desejamos que aquele dia tivesse sido eterno, mas era curto. As garrafas iam se esvaziando e eu já não queria mais ficar sóbria. O telefone, que não parava de tocar, foi desligado. Você saiu da janela, caminhou até a adega, pegou o vinho do seu casamento e colocou sobre a mesa. Abriu-o com toda a vontade, encheu nossos copos e pediu para brindarmos como se não houvesse o amanhã. Bebemos até você adormecer. 

Fiquei te olhando dormir intencionalmente, porque no final, não sabíamos o peso da dor um do outro. Era tudo sem medidas. As lágrimas escorriam e então liguei o celular: lá continha 22 ligações dele e mais 40 mensagens deixadas. Ali eu compreendi que não existe o amanhã para quem já traçou seu final. Aquelas gotas de álcool acabaram. Minha esperança se esvaiu, e então a lucidez me atingiu. 

Sobre a mesa, deixei um bilhete, não como lembrança, mas como agradecimento. Abri minha bolsa e tirei uma garrafa de vinho envelhecida, um presente que tinha comprado para você. 

Nem tudo era para ser, mas já aconteceu como escolhemos que fosse. Então que possamos viver sobre as perdas e sobre os ganhos. Você foi a energia que eu precisava para me conectar. Espero que de alguma forma eu possa ter sido algo assim. 

Enquanto estava no elevador, chamei o táxi. Caminhei até o carro e, antes de entrar, olhei para o alto, vendo de longe seu apartamento. Da janela, você me olhava. Nos despedimos sem dizer adeus uma única vez. 

E hoje, após dez anos, eu te reencontrei! 

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sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Despretensiosamente

 

Naquela tarde congelante do dia 27, a vida resolveu agir silenciosamente. Andando pelas ruas, encontrei aquele restaurante; sentei-me ao lado da janela e fiquei admirando o tempo passar enquanto aguardava meu pedido. A porta se abriu, e tudo mudou. Você passou ao meu lado e sentou-se naquela última mesa, perto da janela. Em vez de escolher outro lugar, decidiu ficar ali, frente a mim.

Foi rápida a primeira troca de olhar, e para mim, era apenas um vislumbre vago. Mas ao discorrer dos minutos, você se esqueceu da sua posição e fixou sobre mim toda sua volúpia. Fui tomada por um desconhecido olhar, despida pela sua cobiça. Eu desviava o olhar; quando me voltava, você estava lá, me olhando fixamente. Você esperava apenas que o meu olhar encontrasse o seu. Você não disfarçava. Não queria evitar.

Enquanto ela falava, você respondia; rapidamente, teu olhar retornava ao meu. Juro que não queria me perder nos desejos que você lançou sobre mim, mas, por um instante, me perdi e permiti, em minha fragilidade, você me despir. Fui atraída por um mal sentimento uma inveja daquela rotina tranquila que ele parecia ignorar. Aquelas horas eram de pura atração, e foi teu desejo que me impulsionou a me entregar ao vago.

Mas escolhi ignorar meus instintos impulsivos e desviar do que me prendia a ti, contudo, eu sentia tua vibração até mim, magneticamente. Entre sorrisos soltos em uma conversa com minha amiga, o tempo passava. Os pratos na mesa iam se esvaziando, e você ali, trocando olhares comigo. Por um minuto, eu quis. No outro, eu disse não. Porque, mesmo que os desejos fossem intensos, a razão era mais sensata: "construa seu castelo e não destrua o que já foi erguido". Foi um acaso do destino, dois desconhecidos e um desejo inconsequente. A porta que se abriu não trouxe um remetente, mas consigo trazia um peso. Às vezes, só devemos fechar a porta sem agir.

-Se tivéssemos marcado não teria sido da forma como aconteceu! 

"Não haveria um reencontro. Ambos sabiam que eram apenas histórias. Ele não largaria o que havia construído, e ela não destruiria o castelo por um instante. Ficou apenas um desejo enterrado ali, naquela mesa, naquele dia 27 congelante. A vida apenas a havia testado, oferecendo uma chama para que ela sentisse, mais uma vez, que ainda despertava aquele impulso. Ele não sabia, mas seu olhar a ajudou a seguir. Ela levaria a lembrança, uma fantasia que se apagaria nos próximos dias, mas que serviu para reafirmar: mesmo ele tendo o seu estilo de homem ideal, não era aquele o caminho que ela almejava. Ambos eram apenas acaso, e nada mais."


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