"Bem, o que há atrás das paredes brancas imensas? Talvez eu saiba, ou talvez não? O que fica mesmo é uma dúvida sobre meu querer e não querer. De olhos fechados, minha imaginação flui, cheia de expectativas, em desbravar um sobretempo, e de olhos abertos, eu simplesmente não vejo nada além da parede circular.
O que me espera lá fora, e do que realmente temos medo? Medo do aqui, ou medo do que pode vir? Ninguém sabe sobre o que há de obscuro dentro de si, até ver no outro o que incomoda tanto. É tudo muito confuso e singular. Mas imagino que sejamos apenas um integrante na imensa casa de bonecas.
Uma referência antiga de um nostálgico anime me fez despertar, que talvez vivenciamos um discurso encenado, tudo roterizado. Mas, enfim, talvez eu acredite nisto, e qual motivo de está presa nesta ideia, dentro da casa de bonecas. Talvez por que eu veja hoje mais nitidamente ao decorrer dos dias como o ciclos declinam. E mesmo se eu tentasse mudar meu de cenário não seria tão fácil assim; esse condicionamento nos leva a um caminho, a ponto da beira. Em círculos vivemos e lá estaremos.
E, como personagens, fantasiamos nossas imaginações de que um dia podemos ser, podemos ter. Viemos e cá estamos. Nada faz sentido e vivemos no egoísmo de si mesmos, buscanto no horizonte uma paz que talvez nem podemos tocar. Efeito nuvem: vemos, mas não sentimos. E em círculos voltamos a nos confrontar, sem saída, em volta das paredes brancas.
O que desejo não sei, mais o que busco está se apagando. Um dia desses posso nem despertar lúcida; levemente, está sendo deletado de mim quem sou, quem fui e quem seria. Minha aceitação virou minha própria loucura. É como abrir os olhos para uma constelação e deixar-me tomar pelo próprio caos."
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